Musicando

André Larbelle - andre@ojornalnit.com.br

INDEPENDENTES: LUTA DIÁRIA

É sabido que “vencer” no ramo da música é difícil. Até os mais consagrados artistas narram as agruras pelas quais passaram , antes de chegarem ao estrelato. Sim, todos ou a maioria já foram independentes um dia. É quase uma regra. Independentes, underground, famosos, não importa, todos estão na mesma highway.

A vida de uma banda independente é dura, porém poética, pois há mais camaradagem e a luta é em comum. Os integrantes têm o mesmo foco, estão em busca do mesmo objetivo: fazer sucesso, viver do sonho da música.

É uma labuta pesada, pois em vários shows o próprio músico leva todo o seu material. Pior é quando não há cachê, consequentemente paga-se para trabalhar, pois este material, além de ser relativamente caro, carece de manutenção periódica. Gasta-se bem! Ganha-se pouco!

Outro problema cotidiano é arrumar lugar para tocar. Os músicos “voz e violão” conseguem mais lugares, devido a logística, pois são poucos os equipamentos necessários para este tipo de apresentação. Quando falo em equipamentos, estou somando tudo, inclusive os instrumentos. As bandas independentes penam para fechar show em lugares adequados, porque são raros os locais com um palco que caiba confortavelmente a banda toda. Isso quando se tem palco. Na maioria dos locais é no chão mesmo. Sim! Palco é um luxo.

A banda é autoral, cover ou cover e autoral? Outra celeuma. Este é mais um item que faz parte do dia a dia dos independentes. As bandas autorais sofrem para mostrar as suas obras. São raras as que se impõem e tocam suas composições. Mesmo estas, tocam alguns covers. É até legal tocar cover, fazer um tributo, mas só cover para uma banda autoral é suicídio, por exemplo.

Os labuteiros inregrantes de bandas independentes são, na verdade, administradores, advogados, comunicólogos, psicólogos, engenheiros e, sobretudo, peões sem qualquer formação acadêmica e/ou técnica. Tudo, toda a estruturação e planejamento estão no dia a dia dos integrantes e não se deve esquecer dos ensaios e composições. Portanto, um dia tem que render quase dois.

Hoje, inicio a minha coluna Musicando com o Lar Belle. Tentei traçar sucintamente como é a vida de uma banda independente. Faltou falar de algumas variáveis, mas isso foi de propósito, pois a cada coluna aprofundar-se-á um item na vida dessas bandas.

Fazer música é difícil. É uma vocação? É amor puro e pleno. Vencer é consequência e vale cada gota de suor.

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