Contraponto

Carlos Emir Larangeira - emir@ojornalnit.com.br

A reforma tem que ser só política ou também de valores?

Muitas das vezes o que vemos e ouvimos não retrata o real interesse dos bastidores da política. Muito se fala em reforma política como se fosse única alternativa para acabar com a corrupção de nosso país. Precisamos de uma reforma urgente na política? Sim, mas a que preço? O sistema político atual está ultrapassado e viciado. Vivenciamos um “coronelismo político” mais violento que nos tempos da senzala. Somos escravos de um grupo político que há anos dita regras na nossa sociedade. E são esses mesmos políticos que votarão a reforma. Ora, um sistema em que você legisla em benefício próprio? Como teremos uma reforma política séria assim? Ora, precisamos de uma reforma que realmente mude todo esse sistema partidário, pois o vício começa na formação dos partidos e na escolha de seus candidatos. Se cada partido representasse realmente a preferência popular, – como nas agremiações de futebol, – teríamos, sim, uma representatividade efetiva e do real interesse da sociedade.

                “[...] Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. ”, diz a Carta Magma no Parágrafo Único do Artigo Primeiro.

                O que vemos nos dias de hoje? Uma política que não reflete o diz nossa Constituição. Temos uma quantidade excessiva de partidos políticos, que são montados por grupos pequenos com a intenção de se perpetuarem no poder. São as famosas “nominatas” e suas coligações, que fingem representar grupos da sociedade em ideologias e interesses, mas na prática não funcionam assim. As escolhas dos candidatos são verdadeiramente manipuladas por partidos que estão no poder com intuito de eleger seus protegidos políticos, expurgando do processo legislativo as pessoas que por vocação ou vontade de mudança se engajam no processo eleitoral. Se a reforma política é essencial e a renovação, necessária, como fechar essa equação num sistema político que iniba essas articulações maculadas na origem? Ora, só revendo os valores para efetivamente renová-los!

                Em Niterói, vemos claramente como esse desvalorizado e corrompido processo político funciona. Basta verificar quantos vereadores de mandatos sucessivos existem. Poucos realmente fazem ou tentam fazer a diferença, mas logo são engolidos pelo sistema. Para se ter uma ideia, cada partido tem 32 vagas para candidatos a vereador, mas nem sempre são preenchidas em sua totalidade. Falta de interesse da sociedade na política? Ou será mais uma manobra para os mesmos políticos se perpetuarem no poder?

                O atual governo municipal faz uma farra com o dinheiro público para se manter no poder nas eleições vindouras. Basta ver a quantidade de obras eleitoreiras e a quantidade de cargos comissionados que foram criados em troca de apoio político. Quantos secretários foram nomeados por siglas partidárias da base aliada? Até quando a sociedade vai aceitar esse desvalorizado jogo eleitoreiro? Temos primeiramente de reformar nossa maneira de participar da política. A sociedade não pode mais se abster ante esse danoso processo.  Em contrário, é passada a hora de se buscar valores novos e abominar as velhas práticas!

                Sim, a verdadeira reforma tem que ser de valores. Só uma real renovação nos quadros do legislativo fará a diferença. O continuísmo político é um câncer para a sociedade, mas a sua participação é a cura. Vamos mudar isto participando com total racionalidade e não mais nos deixando levar por emoções resultantes de discursos eloquentes, porém falsificados com a intenção de nos enganar.

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