Contraponto

Carlos Emir Larangeira - emir@ojornalnit.com.br

Niterói quer voltar a sorrir.

Nossa cidade, outrora chamada de sorriso, está debulhada em lágrimas. Nunca vivenciamos na historia de Niterói uma onda de insegurança tão grande. Somos reféns de uma velha maneira de fazer política, de governantes corruptos. Somos reféns em nossas próprias residências cercadas de grades, alarmes e câmeras de vigilância. Vivemos uma era de violência sem precedentes em nossa cidade.

Niterói já foi considerada a quarta cidade em qualidade de vida no País, tínhamos orgulho de ser niteroiense. E agora? O que vemos e sentimos na pele é um total descaso com nossa população.

Na série de reportagem, “Niterói Sitiada”, de O Jornal Niterói, nós retratamos o medo dos moradores e as armadilhas de cada bairro, alertamos sobre os perigos e, como sempre, a única resposta que ouvimos foram promessas e alegações sobre a competência da segurança pública ser uma função exclusiva do Estado. Ora, para que serve a guarda municipal, além de multar e rebocar veículos? Além de reféns da violência, estamos reféns de nossos governantes?

Deparamo-nos a cada dia com máquinas “caça níqueis” governamentais. Além de termos um dos IPTUs (Imposto Predial e Territorial Urbano), mais caros do país, um simples mergulho em Itacoatiara está custando R$ 3,50 por cada duas horas, se você estacionar seu carro na orla. Até quando vamos aceitar medidas que deixam os interesses da população de lado? Seremos tratados como meros coadjuvantes em nossa própria cidade? De que servem os protestos, se o continuísmo se faz presente? Infelizmente temos uma inversão de valores na política de nossa cidade, onde “o poder emana do grupo e para o grupo”.

Mais de 140.000 pessoas entre votos brancos, nulos e oposição não concordam com a atual gestão. Infelizmente o uso da máquina sobrepôs a real vontade popular. Nosso sistema eleitoral é falho, mas a voz da população não pode se calar diante dos descasos e das omissões, muitas vezes praticadas pelo poder público. Porque o “poder emana do povo e é para o povo” e não podemos nos enquadrar na ideia de que o “povo tem o governante que merece”. Mas para isso acontecer, à população tem que estar mais presente na fiscalização das ações de nossos governantes.

Nossa cidade merece voltar a sorrir! Queremos de volta a nossa caminhada tranquila na Rua Moreira César! Queremos poder ver o por do sol em Charitas, andar na orla de Icaraí, podermos transitar em qualquer ponto da cidade sem medo de ser assaltado.

Merecemos uma política pública de verdade, voltada para os reais interesses da sociedade. Não queremos empréstimos milionários destinados às obras mal planejadas! O que queremos é mais saúde, mais educação, mais segurança e não calçadas de mármore. Queremos respeito, vossas excelências. Precisamos de uma cidade bonita? Sim sem dúvida. Mas a que preço?

Parafraseando um grande amigo, acredito que “a crise não é só política em sim de caráter”.

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