Aplausos

Julianna Coelho - julianna@ojornalnit.com.br

100 anos de pura vitalidade.

Um senhor está completando 100 anos de idade. Não pensem que ele caminha com dificuldades, de bengala ou muletas, que fica apenas com as suas reminiscências. Não! Ele não fica parado não. Ao contrário, dança, requebra, rebola, tem suingue e bossa. Ele é o bom malandro das noites cariocas. Rico e pobre, mas, sobretudo feliz e vigoroso. Querem conhece-lo? Então venham a sua festa. Com vocês: o Samba.

Há quem diga “quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”. O senhor jovem samba pode até, às vezes, agonizar, mas nunca morre. É ele que amalgama sob o mesmo teto o doutor de cartola, o delegado, o sargento, o milionário e o morador sofrido da comunidade.

Quem nunca se pegou dando uma sambadinha sequer. Vale até o sambar de dois dedos para cima e para baixo. Na verdade, vale a festa. O certo é que ninguém consegue ficar parado diante deste senhor vitalíssimo, saudável e alegre.

O samba pode ter vindo da África, do semba, ou dos batuques trazidos pelos africanos que se tornaram escravos no Brasil, mas concordemos, ele é a voz do morro sim senhor. Ele, se pintura fosse, seria uma roda de senhores, num bar, lá pelas 17 horas, com o por do Sol incidindo sob os castelos de tetos de zinco.



O aniversariante pode ser rápido, lento, romântico, malandro do bem, de breque na quebrada da cadência, de ziriguidum a praticundumprugurundum. Ele pode ser palipotético e homocinético, pode ensinar que “as rosas não falam”, mas exalam “o perfume que roubam de ti”. Eternos mestre como Donga, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e muitos outros que o digam.

Sim, este é o samba, o maior ícone da música brasileira. Este roqueiro que vos escreve rende toda a homenagem e feliz aniversário ao Samba. Dou-lhe o mais sincero parabéns, pessoalmente, pelas redes ou “pelo telefone”.

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