Momento Político

Milton Rangel - milton@ojornalnit.com.br

FORÇAS ARMADAS NA SEGURANÇA PÚBLICA

A cada dois dias e meio um policial é assassinado no Estado do Rio. Só este ano, 97 agentes da lei perderam suas vidas nas mãos de bandidos. Crimes que, em sua grande maioria, vão ficar sem solução e cair no esquecimento. Para as famílias, restará a dor de uma vida destroçada pela violência. Para a sociedade, ficará uma sensação de impotência diante do poderio bélico cada vez maior dos criminosos e da certeza da impunidade. Afinal, que traficante vai sair da criminalidade sabendo que se for preso portando um fuzil pegará, no máximo, três anos na cadeia, saindo após seis meses de detenção? Certamente, nenhum. É preciso que as punições sejam mais severas. Um passo nesta direção foi dado pela Câmara dos Deputados, em Brasília, ao aprovar um projeto de lei que torna crime hediondo a posse ou o porte ilegal de fuzis e outras armas de fogo de uso restrito das Forças Armadas e demais órgãos de segurança pública. Também passam a ser considerados crime hediondo o tráfico e o comércio irregular de metralhadoras e submetralhadoras. Não é a solução, mas já é um fator inibidor.

A mudança urgente na legislação criminal brasileira é uma medida necessária, mas que deve ser tomada em conjunto com outras ações preventivas, como a integração dos diversos órgãos de segurança pública. Há muito tempo estamos pedindo uma maior presença das Forças Armadas no Rio de Janeiro, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. As drogas e armas que abastecem o Estado do Rio passam livremente por nossas fronteiras. No ano passado, a apreensão de fuzis bateu recorde no Rio. Foram 371, segundo dados oficiais do estado, o maior número nos últimos dez anos. Parte da carga foi encontrada no Aeroporto Internacional do Rio, o Galeão. Essa é só a ponta do iceberg, visto que uma quantidade muito maior deve chegar ao Rio pelas rodovias e pela Baía de Guanabara. As patrulhas de polícia rodoviária federal estão sucateadas e os postos não fazem mais vistoria nos veículos que trafegam pelas estradas brasileiras.

O resultado são quadrilhas de traficantes e milicianos audaciosas e fortemente armadas, enquanto nossos policiais se arriscam diariamente usando armas obsoletas, muitas das vezes sofrendo duras críticas quando entram em comunidades para cumprir sua árdua missão de combate ao crime. Nesta guerra diária entre policiais e traficantes, as maiores vítimas são os mais de 130 mil estudantes, jovens e crianças, das escolas situadas em áreas conflagradas. Para ter uma dimensão do impacto dessa violência, dos 120 dias letivos nos colégios da rede municipal, somente em oito deles as unidades funcionaram 100%. Em todos os outros dias, pelo menos uma escola ficou fechada por causa de tiroteios. Uma

resolução da Secretaria de Segurança Pública determinou que as incursões policiais não poderão ocorrer nos horários de entrada e saída dos alunos. Uma medida que precisa ser colocada em prática o mais rapidamente para evitar que mais inocentes tenham seus sonhos interrompidos pela criminalidade.

Além de ceifar vidas, a violência impacta diretamente na economia fluminense já tão fragilizada. Nós temos hoje o maior índice de roubos de cargas do país. As transportadoras não suportam tanta violência contra seus motoristas. Estamos vivendo uma guerra urbana. Nossos policiais estão atuando nesse enfrentamento desigual mesmo não recebendo em dia os seus salários, o décimo terceiro e suas gratificações. Precisamos valorizar a nossa polícia. Se o Rio de Janeiro tem bandidos tão bem armados é por culpa das forças federais que permitiram que nossas fronteiras e estradas, ficassem tão penetráveis ao acesso desse armamento. É necessário que as polícias civil, militar, rodoviária, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e a Força Nacional unam esforços para que a segurança e a paz volte aos lares dos cariocas e fluminenses.

 

Milton Rangel é deputado estadual (DE

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