Momento Político

Milton Rangel - milton@ojornalnit.com.br

NOSSOS HERÓIS ESTÃO MORRENDO

Estatísticas da Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgadas recentemente pela imprensa revelaram um dado assustador: nas duas últimas décadas, mais de 3 mil PMs foram mortos no estado. A média tem sido um policial assassinado a cada dois dias. A taxa de mortalidade entre 1995 e 2016, segundo a corporação, é maior do que a de soldados americanos na Segunda Guerra Mundial. Realmente é uma realidade alarmante. É mais fácil um policial militar ser alvejado servindo ao estado do que na Guerra do Golfo.

Agora já são 119 os policiais mortos no Rio neste ano. As duas últimas vítimas - o sargento da PM Victor Aleixo da Costa e o cabo da Polícia Militar Eleonardo Silva - foram mortos no último domingo (12 de novembro). O primeiro com um tiro na cabeça no Morro da Providência e o segundo ao reagir a uma abordagem de homens armados, em Barra Mansa, no Sul Fluminense.
Não são apenas números. Estamos falando de famílias destroçadas pela violência. Até quando nossos policiais vão ser covardemente assassinados com salários atrasados, sem equipamento adequado e em condições precárias?

Hoje o Estado do Rio de Janeiro paga o preço, com a morte de pais de família, com a falta de estrutura e com o descontrole que alcançamos na segurança pública. Ainda somos surpreendidos pelo infeliz comentário do senhor ministro da Justiça Torquato Jardim, de que os comandantes dos batalhões do Rio são sócios do crime organizado, numa clara tentativa de denegrir a imagem da instituição e jogar uma cortina de fumaça no real problema que vivemos em nosso estado.

Muitos atribuem as mortes aos bicos dos agentes para aumentar a renda, ao colapso do estado e à política de confronto. Na minha avaliação, a nossa guerra é culpa das Forças Federais que permitiram que nossas fronteiras, aduanas e estradas ficassem tão vulneráveis ao acesso desse armamento. O Rio não produz droga nem fabrica arma. As que aqui chegam passam pelas fronteiras onde o Ministério da Justiça e seus comandados têm obrigação de guardar. E onde se dão as relações corruptas e lenientes com a bandidagem que tanto o ministro quer apontar para a PMERJ. É necessário que haja integração entre as polícias civil, militar, rodoviária, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e a Força Nacional para que a paz volte aos lares de todos os fluminenses.

Deixo aqui mais uma vez todo o meu apoio aos familiares desses 119 heróis que tiveram suas vidas brutalmente interrompidas no cumprimento da sua função. Que Deus os tenha em bom lugar e que possam abençoar e proteger os demais que permanecem nessa batalha sem trégua.

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