Momento Político

Milton Rangel - milton@ojornalnit.com.br

Fronteiras brasileiras: uma grande peneira

A redução de R$ 2 milhões no orçamento do Exército agravou o controle de drogas e armas em nossas fronteiras, tornando-o praticamente inexistente. Entre 2016 e 2017, o efetivo das Forças Armadas responsável pelo patrulhamento da região foi reduzido à metade, deixando totalmente desguarnecidas as fronteiras brasileiras com três dos maiores produtores de cocaína do mundo: Bolívia, Peru e Colômbia.

A facilidade com que drogas e armamento entram no país tornam impossível o combate ao tráfico nos estados. Atualmente, cerca de 70% dos homicídios são resultado do crime organizado nos grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro.
O reflexo da redução de recursos é sentido no balanço das operações das Forças de Segurança.

Até outubro deste ano, o Exército apreendeu somente seis armas nas fronteiras, contra 168 no ano anterior. O mesmo aconteceu com a entrada de drogas: foram 11 toneladas de maconha em 2016, contra somente 15,5 quilos esse ano. Isso reflete diretamente no aumento dos índices de criminalidade nas capitais do nosso país.

A estratégia mais acertada, nas atuais condições, seria investir na área de inteligência para sufocar financeiramente as organizações ligadas ao tráfico de drogas e de armas, sem descartar a repressão ostensiva e a vigilância das fronteiras.
Não há solução fácil para esse problema.

É um desafio que precisa ser enfrentado de forma integrada e com responsabilidade por todos os entes da Federação, União, estados e municípios.


Devemos evitar o problema, não só combatê-lo, caso contrário, seguiremos enxugando gelo e pagando com a vida dos nossos policiais que morrem todos os dias - só este ano 124 policiais foram assassinados no estado -, tentando proteger a população e sem as devidas condições de trabalho.


Em contrapartida, nossa brava Polícia Militar apreendeu recentemente duas toneladas de drogas em uma única operação na comunidade da Maré, com a atuação do Batalhão de Ação com Cães (BAC). Que sirva de resposta para o ministro da Justiça Torquato Jardim que questionou a competência e a honestidade da instituição.


Mais uma vez, parabéns à Polícia Militar do Rio de Janeiro. Vocês são a nossa linha de resistência contra o crime organizado em nosso estado.

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