Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

UM DIA QUALQUER

UM DIA QUALQUER


Passei esses últimos 25 dias em Fortaleza e Natal. Sol, céu e mar. Muita diversão, muita cordialidade, mas muita violência também. Pois é, a violência, que já havia chegado ao nosso paraíso aqui, também se espalhou pelo Nordeste. Muito lamentável meus amigos, muito lamentável...

As pessoas se olham com medo, a desconfiança é total, quando vem um motoqueiro ao lado do carro então o pânico é geral. Aquela tranquilidade dos dias da adolescência deu lugar ao pavor, à paúra de sair à rua a pé. Fortaleza então é um deserto, pouquíssimas pessoas andando pelas ruas. A indústria dos carros blindados, lá como cá, faz a festa, com lucros nunca dantes realizados.

E a bandidagem só corre para o abraço. Lamentável, meus caros leitores, lamentável... Então, ao retornar à nossa querida Nikiti, resolvi poetar e tomei a liberdade de, com a aquiescência de meus editores aqui da Tribuna, publicar nesse espaço que me é concedido semanalmente. Aí está:

 

Da janela da sala eu vejo o mar.
Do quarto eu vejo o mar.
Ele quebra na praia com barulho.
Ele atrai os homens.
Ele afoga os homens.
Ele faz espuma branca,
Que se confunde com a areia.
No mar a vida.
No mar a morte.
Crianças brincam na areia,
Na sua inocência feliz.
As mulheres seminuas pisam a areia como deusas.
O sol enche suas peles de sensualidade.
É agosto na cidade.
No calçadão a festa é outra.
A linda menina de trança se preocupa em andar ligeiro.
Mesmo assim, seu passo é faceiro.
O sessentão conta as batidas cardíacas, pois não quer ter o segundo infarto.
A velha senhora cadencia o passo, exigindo o mesmo do cão que a acompanha.
As bicicletas invadem o calçadão.
Os passantes invadem a ciclovia.
Balbúrdia total na praia, único espaço democrático que conheci em toda minha vida.
Volto ao quarto e já não observo o mar.
È a vez do asfalto negro, quente, se dissolvendo ao sol do meio-dia.
Lá a briga é outra.
Ônibus, carros e motos brigam por um espaço, sem contar os pedestres atrevidos que atravessam no meio de todos.

É a praia, a civilização, o CAOS TOTAL...

 
Esse é o registro de hoje, o registro do nosso cotidiano...

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