Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

A educação

Fui buscar nas obras de Léon Denis, mais precisamente no Livro Depois da Morte, pensador, filósofo e continuador do trabalho de Allan Kardec na Doutrina Espírita, esse texto sobre educação, um dos temas mais comentados e discutidos no Brasil de hoje. Ele afirma, categoricamente, que “é pela educação que as gerações se transformam e aperfeiçoam. Para uma sociedade nova, diz Denis, é necessário homens novos. Por isso, a educação desde a infância é de importância capital.

Não basta ensinar à criança os elementos da Ciência. Para ele, que nos deixou em 12 de abril de 1927, aprender a governar-se, a conduzir-se como ser consciente e racional, é tão necessário como saber ler, escrever e contar: é entrar na vida armado não só para a luta material, mas, principalmente, para a luta moral. É nisso em que menos se tem cuidado. Presta-se mais atenção em desenvolver a faculdade e os laços brilhantes da criança, do que as suas virtudes. Na escola, como na família, há muita negligência em esclarecê-la sobre os seus deveres e seu destino.

Portanto, desprovida de princípios elevados, ignorando o alvo da existência, ela, no dia em que entra na vida pública, entrega-se a todas as ciladas, a todos os arrebatamentos da paixão, num meio sensual e corrompido. Mesmo no ensino secundário, aplicam-se a atulhar o cérebro dos estudantes com um acervo indigesto de noções e fatos, de datas e nomes, tudo em detrimento da educação moral.

A moral da escola, desprovida de sanção efetiva, sem ideal verdadeiro, é estéril e incapaz de reformar a sociedade. Mais pueril ainda é o ensino dado pelos estabelecimentos religiosos, onde a criança é apossada pelo fanatismo e pela superstição, não adquirindo senão idéias falsas sobre a vida presente e a futura. Uma boa educação é, raras vezes, obra de um mestre. Para despertar na criança as primeiras aspirações ao bem, para corrigir um caráter difícil, é preciso às vezes a perseverança, a firmeza, uma ternura de que somente um coração de um pai ou de uma mãe pode ser suscetível.

Se os pais não conseguem corrigir os filhos, como é que poderia fazê-lo o mestre que tem um grande número de discípulos a dirigir? Essa tarefa, entretanto, não é tão difícil quanto se pensa, pois não exige uma ciência profunda. Pequenos e grandes podem preenchê-la, desde que se compenetrem do alvo elevado e das consequências da educação.  Não tentemos desviar dela a ação das leis eternas. Há obstáculos no caminho de cada um de nós; só o critério ensinará a removê-los. Não confieis vossos filhos a outrem, desde que não sejais a isso absolutamente coagidos.

A educação não deve ser mercenária. A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo. Todas as chagas morais são provenientes da má educação. Reformá-la, colocá-la sobre novas bases, traria à Humanidade consequências inestimáveis. Instruamos a juventude, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos ao seu coração, ensinemos-lhe a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores." (Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina - Cora Coralina).

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