Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

Nossa Niterói

“Pode me chamar de feio, pisar no meu calo, isso não me dói. Só o que não pode é falar mal de Niterói”. Inicio a nossa conversa de hoje com esses versos do saudoso Vicente Vieira Ferreira, grande compositor nascido e criado em nossa querida cidade que começou como Aldeia de São Lourenço dos Índios, ali no morro de São Lourenço. Em seguida virou Vila Real da Praia Grande, depois chegou à condição de cidade, sendo a capital da província do Rio de Janeiro e, finalmente, capital do antigo estado do Rio de Janeiro, condição essa que só veio a se modificar com a fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro.

Niterói, que se originou das lutas dos portugueses e dos índios comandados por Araribóia contra os franceses, tem hoje o melhor índice de desenvolvimento humano do estado e está entre as cidades mais alfabetizadas do país. Ah! Mas aí dirão os cri-cris de sempre, que acham que a culpa de tudo é do prefeito Rodrigo Neves, a violência aqui está muito grande, tem muito mendigo pelas ruas etc, etc e etc. E aí eu falo, onde não está? A violência e a miséria, depois de tantos anos de descaso com a administração pública, cresceram assustadoramente em todo o Brasil.

Darcy Ribeiro falava há anos que ou se contruía escolas ou então faltaria dinheiro para se construir presídios. E aí está, foi profético o velho educador Darcy. Os presídios brasileiros estão abarrotados de presos vivendo em condições sub-humanas. São mais depósitos de infelizes, escolas de aperfeiçoamento para o crime, do que instituições correcionais, onde se deveria devolver o cidadão à sociedade no estado de uma perfeita integração com todos os demais participantes.

Em matéria de miséria e violência chegamos ao fundo do poço. Ou se tomam medidas enérgicas no contexto nacional, com pulso forte, para resolver os dois problemas, que andam de mãos dadas, ou vamos oficialmente declarar querra civil, pois ela já está instalada extraoficialmente.

O problema não está localizado em alguns municípios brasileiros, mas em todo o país. É, portanto, assunto de todos, já que sem participação federal efetiva não haverá solução nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo. Vamos fazer como fizeram Mem de Sá e o cacique Araribóia, que expulsaram os franceses das águas da Guanabara.

Vamos combater com medidas emergenciais e duras o tal do crime organizado, que se beneficiou de políticas públicas equivocadas ao longo desses últimos anos. Até porque senhores, a coisa está ficando fora de controle. Ninguém tem mais segurança em hora nenhuma, seja nas ruas de Niterói, Natal, Recife ou Fortaleza, isso para não falar aqui do nosso Rio de Janeiro e de São Paulo. Mas, apesar de tudo, de toda essa violência, vamos acreditar que dias melhoras hão de vir.

“O contrário da violência não é a fraqueza, é a força”

(Antoine de Saint-Exupéry).

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