Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

Aula de Direito

Diante de tantas injustiças que presenciamos em nosso cotidiano, reproduzo hoje um email que  recebi esta semana, infelizmente sem autoria. Diz assim:

“Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

- Como te chamas? - Chamo-me Juan, senhor.
- Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais!- gritou o desagradável professor. Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - e perguntou o professor - para que servem as leis?...
Seguíamos assustados porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade. - Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las. - Não! - Para que as pessoas erradas paguem por seus atos. - Não!!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça- falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso... para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo: - Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor. - Para diferençar o certo do errado... Para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal porém... respondam a esta pergunta: agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula?... Todos ficamos calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime! - Não!! - respondemos todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça? - Sim!!! - E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para pratica-las? -Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! - Vá buscar o Juan - disse, olhando-me fixamente.
Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.
Quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia”. Meus caros leitores, prestaram bem atenção nessa última frase  

“Dignidade não se negocia?” É disso que estamos necessitando em nossa sociedade, de não negociarmos a nossa dignidade, palavra e atitude tão esquecidas ultimamente, principalmente nesses tempos de eleição.

Os julgamentos da Lava Jato estão aí mesmo e há um movimento para que os principais articuladores desses crimes não sejam condenados.

 Lembremo-nos das palavras do poeta Castro Alves na última estrofe de uma das mais belas de suas poesias, Navio Negreiro, diante do absurdo da escravidão:

 “Mas é infâmia demais, levantai-vos heróis do Novo Mundo; Andrada arranca esse pendão dos ares, Colombo fecha a porta de teus mares!”

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