Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

Desesperança

“Há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu. A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá...A gente vai contra a corrente até não poder resistir, na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir”. Nesses versos de Chico Buarque de Holanda, na canção intitulada Roda Viva, eu identifico o sentimento de muitos brasileiros atualmente, particularmente, de alguns amigos meus.

Tem até um que mais parece um xiita islâmico dos mais radicais, já que chega a esbravejar que todo politico é ladrão, é corrupto e por aí vai. Não adianta explicar para ele que, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, toda generalização é burra! Por isso mesmo é que não podemos generalizar. Até porque os politicos somos nós, nenhum é extraterrestre. São médicos, advogados, pipoqueiros, palhaços, engenheiros, administradores, motoristas, policiais, operários etc, etc e etc.

Somos nós que os colocamos lá nos parlamentos e nos esquecemos deles durante quatro anos, ou melhor, dois anos, já que, infelizmente, temos eleições a cada dois anos. Nos esquecemos não, até porque a imprensa cotidianamente nos lembra deles, mas deixamos de fiscalizar as suas atuações. E aí nos sentamos nos cafés, nos bancos de praças, enviamos e-mails a todos falando mal dos politicos e encontramos todas as soluções para os problemas nacionais e, até mesmo, do mundo. E é aí que chamo a atenção aqui para os versos do Chico, quando ele diz: “Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir”.

Pois é, falar mal dos politicos, do policial, do vizinho é mole, é fácil. Agora, será que nós estamos cumprindo o nosso papel de cidadão? Até onde seguimos a máxima de que o meu direito termina onde começa o direito do outro? Até quando vamos deixar de querer levar vantagem em tudo e utilizar a Lei de Gerson? – Coitado do Gerson, fez um comercial de cigarros e ficou com essa pecha para sempre. Mas é assim mesmo nessa sociedade em que vivemos, pois quem tem fama deita na cama.

Não é assim que dizem? Me lembro bem dos meus tempos de secundarista, quando o professor de física entrava na sala de aula e logo exclamava: “Raulino, Thiago e Otacilio pra fora!” E nós argumentavamos: “Por que professor?” E ele dizia: “Hoje eu quero dar aula tranquilo”. Ele tinha razão, nós, realmente, bagunçavamos demais a aula de física. Mas, àquela época, achavamos que ele era duro demais em tomar tal atitude. Aliás, por onde andam o Raulino e o Thiago?

Portanto, meus amigos, lembremo-nos um pouco da mensagem de amor do Mestre Jesus, que passou por esse planeta há dois mil anos e, se a pusermos em prática, pelo menos um pouco, se cada um de nós fizer a sua parte, o nosso mundo, com certeza, será bem melhor. Façamos, pois, uma profunda reflexão sobre o que temos feito de nossas vidas.

“Há três espécies de mentiras: ostensivas, disfarçadas e campanhas eleitorais”(Mark Twain).

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