Leitura de Bordo

Otacílio Barros - otacilio@ojornalnit.com.br

A agonia da população

Feliz, ou infelizmente, os jornalistas tem o dever de denunciar à população as mazelas que nos assolam no dia a dia. Vejam o quadro do caos que se instalou em hospitais públicos e privados em nosso país, e no Rio de Janeiro nem é bom falar. Com a falência do Estado a situação é calamitosa Para vocês terem uma ideia, meus caros leitores, os hospitais privados estão se desligando voluntariamente do SUS (Sistema Único de Saúde) e a redução de leitos públicos para internação em todo o Brasil já virou calamidade.

A insatisfação é geral em relação à tabela de pagamentos aos credenciados. O que se paga hoje por consulta médica, gera prejuízos aos hospitais privados e consequentes desligamentos. Nós que moramos nas regiões Sul e Sudeste do país ainda temos algumas alternativas, mas já imaginaram locais onde se fecha o leito privado e não existe o leito público? É aí que nos deparamos com a transferência de pacientes de um município a outro que, na maioria das vezes, também não tem como atender a esse paciente, já que a rede está com superlotação.

Meus amigos lembro-me bem de quando tudo isso começou, lá atrás, em tempos idos, com as chamadas Ações Integradas de Saúde, Conass, Conasp, sistema de Co-Gestão e que, por fim, desaguaram no famigerado SUS, que hoje está aí, provando que no papel, na teoria, é muito bom, mas na prática se mostrou ineficiente. Antigamente havia os IAPI, IAPC, IAPB, que, bem ou mal, atendiam a seus segurados. Depois veio o INPS, que foi desmembrado após a sua criação, transformando-se em IAPAS, INAMPS e INPS. Mas, depois de algum tempo, os teóricos da saúde, chegaram à conclusão que era preciso universalizar o atendimento, criaram o SUS e exterminaram o INAMPS que, de uma maneira ou de outra, ainda atendia à população.

Cito como exemplo, que a seleção brasileira de futebol realizava todos os exames nos atletas no Hospital da Lagoa (antigo hospital dos bancários). A partir daí, o atendimento médico ficou a cargo do Ministério da Saúde que, até então, era mero normatizador das ações de saúde. Era o início da desmoralização do atendimento público de saúde no país, privilegiando o atendimento privado e importando o modelo dos famigerados planos de saúde, que estão aí extorquindo a população. 

Quem pode pagar ainda dá pra ser atendido. Quem não pode que morra em filas de hospitais, sejam públicos ou privados. Tem até banco dono de plano de saúde. Vocês já viram banqueiro entrar pra perder? Mesmo quando quebram os bancos eles ainda saem milionários. Querem saber mais? Perguntem ao atual ministro da saúde, ele é político e médico e deve saber bem de todas essas falcatruas...

. “Em saúde não se pode simplesmente aceitar o axioma da liberdade plena do mercado, uma vez que, entre outras coisas, o produto final é a vida”.

 (Raul Cutait).

 

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