Notícias

CISP, os olhos "cegos" de uma cidade sitiada pela violência Urbana

Niterói, 29/03/2017 19:20:22

Foi inaugurado em Niterói no dia 10 de agosto de 2016, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), localizado em Piratininga um bairro da Região Oceânica da cidade e a um custo inicial de R$ 20 milhões reais, sendo R$ 3 milhões do Governo Federal, o CISP tem o objetivo de prevenir delitos nas ruas de Niterói.

Mas, ao contrário das expectativas, não houve diminuição nos índices de roubo de veículos e nem nos de assalto as pedestres. Segundo o instituto de Segurança Pública (ISP) o número de roubos e furtos na cidade vem aumentando gradativamente, em termos absolutos, o roubo a pedestres foi o que teve maior aumento. De agosto a dezembro de 2015 foram 1.061 casos.

No ano seguinte, em igual intervalo de tempo, já eram 1.800, crescimento de 69,6%, já os roubos a estabelecimentos comerciais também cresceram, de 87 casos para 173, na comparação entre agosto a dezembro de cada ano.

O mesmo se deu em relação a roubos a residências, que subiram de 18 para 23 casos. Já o indicador de roubo de veículos, considerado o mais seguro para medir o aumento da criminalidade por conta de sua baixa subnotificação, teve aumento de 32,7%, subindo de 516 para 685 casos no período.

O Cisp deveria monitorar a cidade 24 horas por dia com 500 câmeras fixas e móveis, das quais 80 equipadas com botões de alerta instalados em locais estratégicos da cidade, como escolas, postos de saúde, públicas, universidades e terminais de passageiros, distribuídas por todo o município e suas imagens armazenadas em um banco de dados segundo a Prefeitura Municipal de Niterói. Mas, não é bem assim, segundo o Vereador da oposição Carlos Jordy do PSC, a Cisp prometeu instalar 500 câmeras que foram adquiridas e instaladas pela Cortês Inglês, porém só 382 foram instaladas e até agora de 60 a 80 estão funcionando, ou seja, só 20% do contratado.


Segundo Jordy, as duas empresas que foram contratadas para fazer a transmissão de dados, foram escolhidas através de adesão de ata de registro de preço e não por processo de licitação. Essas empresas fazem parte de um Consórcio na Baixada Fluminense e trabalham exclusivamente com a Educação e Saúde no Município.

Outro fator relevante para o mau funcionamento do sistema de câmeras é o fato dessas empresas operam com transmissão via rádio e não somente por fibra óptica, usando parte do caminho em uma tecnologia, radio, e a outra em fibra óptica, o que torna ineficiente a transmissão de dados, fazendo com que apenas 20% das câmeras estejam em funcionamento, tornando a população da cidade cada vez mais refém da violência.


Em alguns bairros da Cidade como Fonseca todas as câmeras e “selters” instaladas foram roubadas, na praia de Icaraí nenhuma das 10 câmeras funcionam e nem na Avenida Amaral Peixoto, local onde se localizam órgãos, como a Delegacia e o Legislativo Municipal entre outros, as câmeras funcionam. " Bem aqui em frente ao nosso Legislativo Municipal que tem ao lado a Delegacia estamos seguros, pois as câmeras não funcionam." exalta Carlos Jordy


O Vereador pretende abrir uma CPI para investigar o poder público sobre os gastos, sobre a contratação das empresas para compra das câmeras, instalação e transmissão de imagens, e também o porquê de terem sido adquiridas a princípio 300 câmeras, sendo que foi feito o acordo inicial de 500, depois tiveram aditivos para aquisição de mais 30 e depois mais 50. “Rolam boatos de que ainda se tem 200 câmeras estocadas sendo que as câmeras não funcionam.” Para que adquirir mais câmeras se as que estão instaladas não funcionam nem para coibir o roubo das próprias. “Essa história está mal contada, precisamos investigar.” declara Jordy.


Jordy até agora só conseguiu quatro assinaturas da oposição. “Mas antes eles querem uma audiência pública, então vamos a ela. Senão resolver eu vou encaminhar o pedido de CPI com as assinaturas." afima Jordy

Por Julianna Coelho 

Comentários

Leia também